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Buscando o melhor caminho: um exercício simples

Buscando o melhor caminho: um exercício simples

Quando enfrentamos um desafio, costuma ser difícil entender por qual caminho seguir. No caso de um término de relacionamento doloroso, por exemplo, o que é melhor? Procurar outra pessoa? Passar algum tempo sozinhos? Ou tentar reatar? Se estamos tendo dificuldades em lidar com um colega desrespeitoso no trabalho, como proceder? Devemos confrontá-lo ou é melhor não dizer nada? Talvez mudar de empresa?

 

Para nos ajudar com essas confusões, vale a pena recorrer a um experimento mental simples, mas altamente eficaz. Permita-se uma pausa e pergunte-se o seguinte: “Se minha vida fosse um filme e eu fosse o protagonista, o que o público gostaria que eu fizesse agora?”.

 

A razão pela qual essa pergunta pode produzir resultados especialmente lúcidos é que ela esclarece automaticamente muitos dos preconceitos e pontos cegos que normalmente prejudicam nosso julgamento. Isso porque a estrutura familiar dos filmes, enraizada em nós desde a infância, tem o “superpoder” de neutralizar nossos impulsos autodestrutivos.

 

Para começar, os filmes têm figuras centrais que amamos, e é natural que admiremos profundamente esses heróis e heroínas. Torcemos para que eles consigam sair da situação horrível em que se encontram e aproveitem ao máximo suas vidas. Em outras palavras, estamos do lado deles para o que der e vier – e de uma forma que frequentemente não estamos do nosso.

 

Em segundo lugar, não suportamos retrocessos ou desvios sem sentido. É angustiante ver um personagem que amamos cometer um erro, voltar atrás em um ideal, trair a si mesmo ou se afundar ainda mais em amarguras. “Não, não, não faça isso”, sussurramos sozinhos do meio da última fila do cinema.

 

Em terceiro lugar, nos filmes, por mais pacientes que possamos ser até mesmo com aquelas longas tomadas artísticas do cinema independente, queremos que as coisas simplesmente… aconteçam! Não queremos perder tempo: ficamos inquietos e cada vez mais desesperados com procrastinações e delongas. Não é divertido ver alguém de quem gostamos andando em círculos. “Vai, reaja!”, podemos sussurrar novamente lá de trás.

 

Em outras palavras, é muito mais fácil discernir quais são as melhores escolhas para um personagem fictício do que para nós mesmos.

 

Portanto, quando imaginamos o que poderíamos fazer no filme das nossas vidas, algumas opções parecem de imediato muito melhores do que outras. É claro que o público não vai querer que a gente volte com o nosso ex! Eles viram as discussões, os choros intermináveis e ficaram horrorizados com a cena final, em que ele foi embora sem nem sequer se despedir. A plateia estremeceria, talvez até vaiasse, com a ideia de mandarmos uma mensagem sugerindo a ele um encontro – ou até mesmo só de enviarmos essa bendita mensagem. E é claro que o público também não gostaria de nos ver apaziguando as coisas com nosso colega arrogante. Eles querem é que a gente solicite uma reunião, deixe bem claro tudo o que está nos incomodando e siga em frente com a cabeça erguida.

 

A ideia aqui, então, é aprender a realizar auditorias sistemáticas de nossos dilemas por meio de uma lente cinematográfica: “Se minha vida amorosa fosse um filme, o que aconteceria agora?”. Ou: “Se minha carreira fosse um filme, o que eu deveria fazer?”. E assim por diante.

 

Esta é uma abordagem humilde, mas poderosa: a maioria das informações de que precisamos para poder fazer boas escolhas já está em nós. Elas apenas permanecem inacessíveis ou desacreditadas porque seguimos alimentando inseguranças e uma falta generalizada de amor-próprio. No fundo, sabemos muito bem o que devemos fazer. Apenas ainda não encontramos internamente a generosidade de nos imaginarmos como protagonistas intencionais de nossas próprias histórias.

 

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By The School of Life

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