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Sucesso na Escola vs. Sucesso na Vida

Sucesso na Escola vs. Sucesso na Vida

Todos nós almejamos ir bem na escola por uma razão óbvia: porque (como nos falam desde crianças) essa é a principal rota para alcançar sucesso na vida.

 

De fato, poucos de nós amam estudar para tirar 10. Fazemos isso porque estamos (compreensivelmente) interessados em um dia ter uma carreira satisfatória, uma casa agradável e talvez algum prestígio social.

 

Mas, às vezes – e numa frequência maior do que gostaríamos de admitir –, ocorre um estranho fenômeno: nos deparamos com pessoas que eram brilhantes na escola, mas acabaram sendo reprovadas na vida. E vice-versa.

 

Aqueles gênios-mirim que, na época da escola, eram o orgulho dos professores podem agora estar estagnados em uma firma qualquer ou de mudança para uma cidade do interior, na esperança de encontrar algo melhor. O caminho que parecia garantido para o sucesso se esfarelou feito areia.

 

Na verdade, isso não deveria ser uma surpresa: os currículos escolares não são elaborados por pessoas que necessariamente têm muita experiência ou talento para o mundo externo à escola, tampouco são projetados com engenharia reversa partindo de exemplos de vidas adultas realizadas no aqui e agora.

 

Os currículos tradicionais de ensino, em sua imensa maioria, são o resultado ligeiramente aleatório da soma das mais diversas forças acumuladas ao longo de centenas de anos de evolução humana e moldadas, entre outras coisas, por mosteiros medievais, pensadores alemães do século XIX e seguindo os interesses de certas elites econômicas.

Isso ajuda a explicar alguns dos muitos hábitos ruins que o ensino tradicional inculca em nós:

 

  • A crença de que as coisas mais importantes já são conhecidas e que o que existe hoje é tudo o que poderia existir. É uma crença que nos alerta o tempo todo sobre os perigos da originalidade.
  • A obrigação de ter que levantar a mão toda vez antes de falar. Isso nos ensinar que é preciso sempre pedir permissão para poder opinar ou contribuir.

  • Somos ensinados a cumprir expectativas (em vez de mudá-las).
  • Somos ensinados a reimplementar ideias (em vez de criá-las).
  • A crença de que pessoas com autoridade já sabem todas as respostas, em vez de nos permitir imaginar que ninguém está realmente a par de tudo que está acontecendo – uma ideia que, aliás, pode ser bastante inspiradora.
  • Somos levados a acreditar que o corpo docente está trabalhando de coração em prol dos nossos maiores e melhores interesses de vida, sem perceber que, na verdade, o que interessa ali são nossos acertos dentro de uma pista de obstáculos pequena e pré-determinada, sobre a qual a instituição tem total controle. A escola não pretende nem foi feita para nos salvar.
  • Por fim, a escola nos ensina tudo, menos as duas habilidades que realmente determinam a qualidade da vida adulta: saber como escolher o emprego certo para nós mesmos e saber como formar e cultivar bons relacionamentos. Aprendemos a ler latim ou como medir a circunferência de um círculo muito antes dessas duas matérias essenciais: trabalho e amor.

Dito isso, a ideia aqui não é que o segredo para ter sucesso na vida é ir mal na escola. Uma vida boa exige que façamos duas coisas muito complicadas e um tanto contraditórias: ser um bom aluno por 20 anos e, ao mesmo tempo, nunca acreditar cegamente na validade de longo prazo daquilo que nos pedem para estudar.

 

Precisamos aprender a ser totalmente obedientes por fora mas rebeldes por dentro, e de uma forma inteligente e compromissada.

Veja nosso calendário completo de aulas e eventos aqui.

By The School of Life

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